10 de outubro de 2013

Don Jon (2013)

Joseph Gordon-Levitt estreia-se na realização neste Don Jon. O filme conta a história de Jon Martello (Gordon-Levitt), um jovem italiano-americano que interessa-se apenas por uma pequena série de coisas, entre as quais a sua família, o seu corpo e, sobretudo, a pornografia. A coisa complica-se quando, numa ida à discoteca, Jon conhece Barbara (Scarlett Johansson), uma rapariga atraente e desejosa por atenção – mas que deixa sempre Jon a querer mais.

Curioso é que por baixo dum filme que muitos possam classificar como fútil e resultado da ignorância da geração MTV, está uma obra com pés e cabeça, conseguindo fazer pensar se realmente o amor verdadeiro é algo que pode acontecer a qualquer um.


O vício de Jon pela pornografia e as suas relações traduzem-se em outros acontecimentos hilariantes, como a sua confissão destes actos na igreja, sempre com uma sentença de Ave Marias e Pais Nossos, e o cumprimento delas enquanto vai exercitar-se ao ginásio. Infelizmente, vemos isto a acontecer umas quantas vezes a mais do que gostaríamos, entrando um pouco na repetição.

Existem inúmeros outros detalhes engraçados, como a irmã de Jon sempre agarrada ao telemóvel, claramente uma crítica à sociedade actual, assim como cameos fabulosos de Anne Hathway e Channing Tatum durante um dos filmes românticos que Bárbara tanto adora.

Felizmente, as coisas ficam mais civilizadas quando Esther (Julianne Moore) entra em cena, como uma mulher madura capaz de meter algum juízo na cabeça de Jon, dando um novo e fôlego e um desenlace mais poético a um filme que primava pela irreverência.

Nota Final: 3.5/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 10 de Outubro de 2013

19 de setembro de 2013

Closed Circuit | Circuito Fechado (2013)


Numa era em que a tecnologia está em todo o lado, a explosão num popular mercado londrino parece ser um crime fácil de resolver, sobretudo quando a polícia tem detido um suspeito. Mas agora cabe aos advogados Martin Rose (Eric Bana) e Claudia Simmons-Howe (Rebecca Hall) provarem a inocência de Farroukh Erdogan (Denis Moschitto) e do seu envolvimento neste ataque terrorista. Nem tudo é o que parece e as reviravoltas são mais que muitas.

Infelizmente o filme não consegue manter o ritmo num pico interessante, exigindo o espectador a estar atento a pequenos detalhes durante as, por vezes longas, conversas e teorias da conspiração que são espalhadas ao longo da história.


Uma das condições chave sobre os advogados, que já foram amantes, é que não poderiam ter qualquer tipo de conflito de interesse e que, apesar de tudo, escondem esse facto para fazerem justiça. Mas não há qualquer tipo de química entre Bana e Hall. Fora isso, ambos têm uma actuação bastante sólida, em papéis dos quais já estamos habituados a encarar, sem maiores surpresas.

De resto, é um thriller que joga demasiado pelo seguro, apostando mais nas palavras que nas acções.

Nota Final: 2/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 19 de Setembro de 2013

5 de setembro de 2013

R.I.P.D. | R.I.P.D.: Agentes do Outro Mundo (2013)


Está cada vez mais na moda serem adaptados para cinema as bandas desenhadas norte-americanas. Enquanto a Marvel e a DC se preocupam com as suas personagens icónicas, desta vez foi a editora Dark Horse a mostrar o que tem de valor. Infelizmente, o que apresenta fica muito aquém das expectativas.

R.I.P.D. conta a história de Nick Walker (Ryan Reynolds), um detective de Boston que, juntamente com o seu parceiro, Bobby Hayes (Kevin Bacon), tem em sua posse algum ouro obtido numa intervenção. Walker, entretanto, decide que já não quer fazer parte do esquema e Hayes decide então matá-lo. Nick vai parar ao purgatório, onde fará parte da Rest In Peace Department (R.I.P.D.), uma força especial que tem como missão deter espíritos que ainda não passaram para o "outro lado" e que estão na Terra como monstros disfarçados. Aqui ele é feito parceiro de Roy Pulsipher (Jeff Bridges), um polícia à moda antiga.


Apesar do filme tem alguns momentos interessantes, esta não é uma adaptação bem executada, ao contrário de Kick Ass 2, que é um exemplo ideal no que toca a adaptações). Os efeitos especiais são fracos e a história tem personagens demasiado normais para o universo que retrata.

Jeff Bridges, por sua vez, ficou preso na sua personagem em True Grit e, de alguma forma, voltou a interpretá-la – mas numa variante menos agressiva e mais caricata. Kevin Bacon também não ajuda muito, com uma personagem sem sal.

A parte boa é que é um filme para desligar o cérebro, com alguns monstros e comédia suficiente para libertar alguns risos. Mas nada por aí além, fruto da realização de Robert Schwentke, que aqui mantém o estilo de Red.

Longe de ser um filme de banda desenhada perfeito, é uma tentativa mais ou menos positiva. O que conta é a intenção, não é?

Nota Final: 2.5/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 5 de Setembro de 2013

30 de agosto de 2013

RPG: Real Playing Game (2013)


É raro ver uma produção completamente nacional aventurar-se pelo género de sci-fi, desta vez co-realizado por Tino Navarro e David Rebordão, num filme com uma premissa bastante simples e fortes influências em videojogos: Um grupo de pessoas ricas pagam para ter uma última oportunidade para poderem ser jovens. Esta oportunidade consiste em jogar o Real Playing Game, onde cada um escolhe a personagem (avatar) que quer ser. As personagens são depois atiradas para o mapa do jogo com o objectivo, onde por cada hora que passe, uma pessoa irá morrer, seja esta morta por outro jogador, seja por escolha aleatória do próprio jogo. 

Apesar de também ter influências de The Hunger Games - Os Jogos da Fome e Battle Royale, também há uma forte componente da história "And Then There Were None" de Agatha Christie, que já serviu de base para inúmeros filmes.

Enquanto que do lado positivo encontra-se uma ideia minimamente sólida e interessante, sobretudo num filme made in Portugal, infelizmente a execução faz parte de todo o lado negativo.


Desde actores com problemas de dicção a falar inglês, outros que tentam demasiado falar em bom tom e que acabam por se espalhar um pouco, apenas os actores nativos são os únicos que se safam no meio disto.

A realização não apresenta nada para destacar, com um excesso de close-ups e um uso pouco apropriado das steady-cams, dando uma sensação de filme amador quando não devia, deixando alguma dúvida na seriedade do filme.

Entretanto, o conhecido actor Rutger Hauer acaba por aparecer num regime praticamente de cameo, enquanto que Cian Barry merece um pouco de aplauso pelo seu esforço mínimo de manter a história interessante com uma personagem digna. 

Digno também é o tema final, cantado pela Aurea, num tom muito à-la-James Bond, que é de facto um dos pontos altos do filme.


De resto, o filme não tem muito mais a oferecer. Efeitos futuristas “à tuga”, um cameo de Victoria Guerra, que considerando que é bilingue, merecia ter tido um papel a sério; e uma narrativa previsível, faz com que este RPG seja um filme repleto de boas intenções e ideias definidas, mas que na prática não se tornaram nada daquilo esperado.

Nota Final: 1/5


Originalmente publicado em Coisas da Interwebs a 30 de Agosto de 2013

8 de agosto de 2013

Fast Girls | Miúdas a Abrir (2012)


É uma imensa pena que a estreia tardia deste filme no mercado nacional estrague o seu pequeno impacto. Fast Girls foi lançado no ano passado com o objectivo de elevar o espírito dos britânicos nos Jogos Olímpicos em Londres – além de dar a perceber à selecção de atletas do país a grande oportunidade que teriam.

O filme conta a história de Shania Andrews (Lenora Crichlow), uma atleta aspirante em conseguir concretizar o sonho de representar algum dia a Grã-Bretanha. Numa competição local, ela tem como adversária Lisa Temple (Lily James), uma menina de ouro, pressionada pelo pai a ganhar todas as competições. As duas acabam por representar a Team GB num evento mundial e aprendem que, mesmo vindo de mundos diferentes, ambas têm mais em comum do aquilo que pensam.


O facto de grande parte do elenco e dos figurantes serem atletas verdadeiros ou praticarem atletismo adiciona um nível de realismo raramente visto em obras do género, sendo Fast Girls credível o suficiente para que o espectador entre neste universo. Porém, o argumento previsível, com todos os elementos-base deste tipo de filme, se não desilude, por outro lado fia-se demasiado na parte atlética da história, deixando outros elementos descompensados.

Finalmente, a banda sonora, que conta com artistas como Labrinth e Sub Focus, é o melhor do filme, no qual assenta que nem uma luva.

Nota Final: 2.5/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 8 de Agosto de 2013