21 de agosto de 2018

The Meg | Meg: Tubarão Gigante (2018)


Os tubarões têm sido uma espécie de moda, quase da mesma forma como os vampiros também tiveram a sua dose de filmes na última década.

Num mundo em que o Shark Week continua a ser das semanas que os norte-americanos se deixam fascinar por esta criatura marinha e o Sharknado vê o seu fim no sexto filme, a ser exibido em Portugal em breve, é apenas natural que o tubarão encontre um caminho para aparecer novamente no grande ecrã.

Deem as boas vindas ao Meg: Tubarão Gigante!


O filme conta a história dum grupo de investigadores marinhos que descobrem novas espécies sob uma nuvem gelada a quase 11.000 metros debaixo de água. Estes ficam presos depois de terem sido atacados por o que parece ser um tubarão gigante, ou o chamado megalodon.

Liderado por Jonas Taylor (Jason Statham), um homem que deu de caras com o tubarão previamente mas desacreditado como se fosse um louco, a missão de salvamento é um sucesso, mas, no caminho de volta, Meg aproveita a ruptura temporária da nuvem e causa o caos na água.

Statham faz novamente o papel do herói de acção típico, no qual já ninguém o via assim a divertir-se desta forma há anos, fora das sequelas que deu continuidade.


Do outro lado, o elenco variado vai dando cartas para que haja alguma dinâmica, a realização de Jon Turteltaub (O Tesouro) faz o filme andar para a frente a cada 5 segundos, dando um sentido de urgência ao tempo disponível para eliminar a ameaça.

Desde one-liners com piada, a risos nervosos, ver Meg: Tubarão Gigante em IMAX 3D traz alguns benefícios adicionais, sobretudo porque a experiência neste caso é imersiva.

No entanto, o filme também tem algumas inconsistências científicas e outras que causam plot holes do tamanho de uma bola de neve, que força o espectador a acreditar um pouco demais naquilo que está a ver.

Naturalmente, não estamos perante nenhum Tubarão nem nenhum futuro clássico. Aliás, ninguém o espera. Mas há algo estranhamente confortante neste filme que certamente poderá um dia ser de culto, com todo o seu feel de filmes de série-B, mas que faz bom uso do seu orçamento superior.
Apesar dos seus defeitos, é aí que Meg: Tubarão Gigante ganha.

Nota Final: 3/5 (originalmente 6/10)

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Originalmente publicado em Central Comics a 21 de Agosto de 2018

15 de agosto de 2018

Maryline (2018)


Maryline só queria uma coisa da vida: ser actriz. Mas na vida, infelizmente, raramente deixa os nossos planos correr sem percalços, e o desta rapariga francesa, protagonizada pela encantadora Adeline d’Hermy, mostra que os nossos sonhos estão sempre do outro lado dum caminho árduo.

Neste filme, escrito e realizado por Guillaume Gallienne, Maryline acompanha a vida duma jovem mulher que se muda da aldeia para a cidade, em busca do sonho de representar.

Desde da sua primeira produção de alto orçamento, um filme histórico, realizado por um tirano alemão, à representação em palco, a história flui duma forma pouco tradicional e esse é apenas um dos seus charmes.


Com um tom melodramático, percebemos que existe uma vida para além dos nossos sonhos, que por muitas vezes são arrastadas por circunstâncias desfavoráveis, que nos forçam a tomar outro rumo para o melhor do nosso futuro. É o caso de Maryline, que durante esta descoberta, cria um vício de álcool e perde interesse no que é viver.

Do outro lado, ela também encontra aliados, entre os quais um realizador e uma actriz companheira, que vê o que ela tem de bom e o que traz de único num filme em que ela é assistente duma celebridade que tem cancro. São os pequenos detalhes que revelam a cumplicidade entre d’Hermy e Gallienne, estando em sintonia em todos os momentos.



Nada em Maryline é por acaso, e tal como a vida real, todas as decisões criam um caminho natural onde esta aspirante actriz consegue mostrar um crescimento emocional, que poucos são capazes de fazer desta forma.

Ainda que o filme seja cinema de auteur, na verdade, temos aqui uma obra belíssima do cinema Europeu, que apesar de andar debaixo do radar de muitos, é sem dúvida algo que vale muito a pena ver.

Nota Final: 4/5 (originalmente 8/10)

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Originalmente publicado em Central Comics a 15 de Agosto de 2018

Down a Dark Hall | O Corredor Assombrado (2018)


A um primeiro olhar, Corredor Assombrado parece o típico filme de adolescentes desajustados da sociedade, que de repente encontram o caminho para a salvação. Na realidade, não está muito longe, mas por debaixo do cliché, este filme realizado por Rodrigo Cortés esconde alguns segredos interessantes.

Corredor Assombrado segue a vida de Katherine ‘Kit’ Gordy (AnnaSophia Robb), uma adolescente que não cresceu sem lidar com o desaparecimento e subsequente morte do seu pai, tornando-se numa rebelde autêntica.

A solução? Enviá-la para uma escola para sobredotados no meio do nada, neste caso Blackwood, onde a directora Madame Duret (Uma Thurman), faz promessas de ser local onde se criam pessoas extraordinárias.


Com Kit, chegam outras raparigas com personalidades distintas, como Sierra (Rosie Day) e Veronica (Victoria Moroles), também elas com um talento escondido e uma inclinação para a rebeldia contra a autoridade.

Pouco a pouco, vamos percebendo o que a Madame Duret e os professores de Blackwood são capazes, ao trazerem ao de cima o melhor de cada uma das alunas, desde uma não perceber álgebra, a resolver grandes mistérios de matemática, ou como o caso de Kit, tocar uma peça musical sem ter tocado num piano há mais de uma década.

À medida que a narrativa avança, vamos apanhando algumas pistas que algo maior está a acontecer, sem que seja demasiado no nariz, dando ao espectador a oportunidade de ligar os pontos por si mesmo.

É quando as grandes revelações começam que o filme começa a descair no cliché, querendo que o grande finale seja algo mais fantástico do que realmente é.


Rodrigo Cortés regressa à realização, depois duma carreira inconsistente no grande ecrã nos últimos 8 anos, com o fantástico Buried de 2010 e o não tão fantástico Red Light – Mentes Poderosas.

Este regresso é assinalado com uma realização com vários momentos tensos e algumas cenas bem construídas, também com uma experiência algo imersiva. Por vezes, infelizmente, parece ser um filme contido apesar de ciente de todo o seu potencial.

No fim, Corredor Assombrado, apesar dos seus defeitos, é uma entrada com personalidade, mais que bem-vinda ao cinema de terror no circuito comercial, que continua a ser invadido pelas repetitivas sequelas, prequelas e reboots.

Nota Final: 3/5 (originalmente 6/10)

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Originalmente publicado em Central Comics a 15 de Agosto de 2018

13 de agosto de 2018

Revenge | Vendeta (2018)


Numa altura em que a indústria cinematográfica e os movimentos sociais que lhe perseguem vão ditando algumas tendências para as temáticas dos filmes que vão estreando, eis que aparece a estreia no grande ecrã da francesa Coralie Fargeat, com Vendeta, protagonizado por Matilda Lutz.

Vendeta conta a história de Jen (Lutz), uma jovem que se encontra numa situação desesperante: Está perdida no meio do deserto, depois dum amigo do seu amante lhe ter violado.
Ferida e revoltada, esta busca a derradeira vingança, de fazer arrepender os homens pelas suas acções.


Todas as associações feministas que o filme tem feito no último ano, depois da sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto no ano passado, nem sempre são as mais certeiras. Sim, é um filme realizado por uma mulher e protagonizado por uma, mas Vendeta vai mais longe que isso.

Tudo o que se vê no filme, desde dos grandes planos duma paisagem vazia, ao gore de ver um pé cortado a esguichar sangue; é relevante para contar esta história de rape-revenge, muito ao estilo dos exploitation films dos anos ’70 e ’80, como Mulher Violada (1978) e Vingança de uma Mulher (1981), como também de obras modernas como Kill Bill e a trilogia vingativa do sul-coreano Park Chan-wook.


Ainda que por vezes, Vendeta mostra-se excessivo, metendo os dedos dos pés no sobrenatural, a verdade é que entre uma realização cuidada e detalhada, uma banda sonora electrizante, cortesia Robin Coudert e uma protagonista com um objectivo que a põe num caminho de retribuição, temos aqui todos os ingredientes para algo verdadeiramente memorável.

Nota Final: 4.5/5 (originalmente 8.5/10)

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Originalmente publicado em Central Comics a 13 de Agosto de 2018

14 de julho de 2018

Escape Plan 2: Hades | Plano de Fuga 2: Hades (2018)


Da saga “Sequelas que Ninguém Pediu”, chega-nos Plano de Fuga 2: Hades, que enquanto tem a sua estreia em home video e on-demand nos Estados Unidos, por cá teremos a oportunidade de o ver nas salas. Mas, realmente, era preciso o Stallone vir outra vez?

Depois de ajudar Schwarzenegger a escapar no primeiro filme, Ray Breslin (Sylvester Stallone) abriu a sua própria empresa de segurança privada, especializando em missões de alto risco.
Mas quando uma das missões resulta na morte dum civil, Breslin é forçado a despedir um dos seus melhores operativos, Kimbral (Wes Chatham), que preferiu confiar num software inteligente que na sua própria equipa, podendo ter evitado a situação.


Pouco tempo depois, os restantes operativos Shu (Xiaoming Huang) e Luke (Jesse Metcalfe), são raptados e colocados numa prisão de máxima segurança, denominada o Zoo, pois “apenas os mais fortes sobrevivem”. Agora com o desaparecimento da sua equipa, Breslin, juntamente com o hacker Hush (50 Cent), Abigail (Jaimie King) e o especialista de armas Derosa (Dave Bautista), têm que encontrar e salvar a sua equipa.

Como seria mais que esperado, este Plano de Fuga 2: Hades não vem aqui tentar ser um filme que muda vidas ou que até inspire seja o que for. Estamos perante um filme carregado de testosterona, que vai bem com uma grade de cerveja e pizza.

Dito isto, a narrativa e os actores podem não ser propriamente os melhores, mas há todo um divertimento, que fará os fãs de filmes de série-B delirar com todos os tiros, explosões e one-liners nada memoráveis, mas que apenas adicionam uma camada de ser mau e fixe.


A esta altura, já começamos a pedir para pararem com estas sequelas, referindo à grande quantidade que as produtoras em Hollywood e na China, que continuam a lançar filmes de baixo-orçamento, à procura duns trocos à custa de um talento de renome e mostrar algum talento local.

É de facto que Stallone já não tem o chamado star power que tinha durante as décadas de ’80 e ’90. Aliás, esses são os filmes que são melhor recordados, depois do anúncio surpresa que o clássico Stallone vs. Snipes, O Homem Demolidor, irá ser homenageado durante a San Diego Comic-Con deste ano.

Aqui o talento local chama-se Xiaoming Huang, um actor especializado em artes marciais é o maior destaque deste filme, sendo que as coreografias as que mais impressionam no meio dum filme que atinge o mínimo dos mínimos a ser decente.


No fim, percebemos que estas sequelas existem também porque as contas da luz nas mansões em Hollywood precisam de ser pagas, e quando o dinheiro é verde, é possível ir aos correios acertar contas. Sim, porque Stallone paga a conta da luz nos correios.

Nota Final: 1/5 

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Originalmente publicado em Geek'Alm a 14 de Julho de 2018.