9 de janeiro de 2018

Darkest Hour | A Hora Mais Negra (2017)


A Maio de 1940, Inglaterra e França eram aliadas na Segunda Guerra Mundial contra o regime Nazi, que aterrorizava Europa com as suas invasões e métodos de violência, enquanto invadiam Bélgica e Holanda.

Mas houve um homem que mudou tudo: Winston Churchill, um homem que ninguém tinha qualquer tipo de confiança e a última pessoa a quem pensaria permitir ser Primeiro-Ministro das terras de Sua Majestade numa altura tão crucial.

É num contexto biográfico que A Hora Mais Negra mostra-nos como Churchill prosseguiu em tornar uma situação improvável numa vitória que iria mudar o rumo da humanidade como a conhecemos.


Gary Oldman interpreta um Churchill sarcástico e de temperamentos variados, personificando de forma fiel uma das grandes figuras do século XX, tendo sido o responsável por dar a ordem à grande evacuação dos soldados em Dunkirk (visto em mais detalhe na película de Christopher Nolan), salvado 300.000 homens cercados pelos Alemães.

A história foca bastante na personagem que Churchill foi, em como encara as situações que tem perante si e o peso das suas decisões, com Oldman a mostrar de forma verídica a sua sensibilidade. Da mesma forma que Anthony Hopkins interpretou Alfred Hitchcock em Hitchcock em 2012, existe um paralelismo entre estes dois actores recriarem momentos quase documentais.


Fora isso, a narrativa fia-se nos factos verídicos, mostrando os momentos chave naquilo que foi o início do mandato, com Joe Wright a realizar um filme com algumas cenas de enquadramento interessante, especialmente quando estamos em movimento.

A Hora Mais Negra é um filme que limita aquilo que quer ser, preferindo mostrar como um homem que estava contra todas as probabilidades conseguiu inspirar uma nação e, eventualmente, derrubar a tirania do regime nazi.

Um excelente filme que dramatiza em quantidades razoáveis aquilo que se passara numa altura em que a espírito de luta e sobrevivência era o principal para o povo Inglês.

Nota Final: 3.5/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 9 de Janeiro de 2018.

24 de dezembro de 2017

Jumanji: Welcome To The Jungle | Jumanji: Bem-Vindos à Selva (2017)


Em 1995, o falecido Robin Williams protagonizou, juntamente com uma jovem Kirsten Dunst um dos filmes mais divertidos do ano, quando um jogo de mesa misterioso fez saltar a selva para o mundo real. Jumanji, cujo livro em que foi baseado, escrito por Chris Van Allsburg, trouxe também uma sequela espiritual, na forma do mágico Zathura, um filme tão underrated que acredito que 90% da população nunca o tenha visto.

Passados 22 anos desde do filme original, aparece uma re-imaginação mais actual dos textos de Van Allsburg, em Jumanji: Bem-Vindos À Selva, que junta 4 adolescentes a jogarem um jogo de consola, e que são sugados para o mundo virtual sob os seus avatars, estes muito diferentes das suas personas reais.

São agora forçados a jogar um jogo inesperado, ao terem que retornar o Olho do Jaguar, uma pedra preciosa e que permite o controlo de todos os animais da selva, no seu respectivo lugar.


Enquanto que o elenco do mundo real, composto por Alex Wolff, Madison Iseman, Ser’Darius Blain e Morgan Turner, todos eles relativamente desconhecidos, com pequenos papeis secundários em cinema e televisão, as suas personagens homólogas são protagonizadas pelos já famosos Dwayne "The Rock" Johnson, Jack Black , Kevin Hart e Karen Gillan, respectivamente.

É com este elenco mais conhecido com quem naturalmente passamos mais tempo, no meio de uma floresta repleta de perigos, incluindo um Nick Jonas perdido lá pelo meio.

A modernização da história para um público actual, familiar com termos como selfie e videojogos online, o filme quase que faz uma paródia daquilo que a sociedade se tornou, envolvendo uma mensagem de amizade maior, num ambiente familiarmente acessível que já não se via há muito no grande ecrã.


Ainda assim, o progresso de Jumanji é como se dum verdadeiro videojogo se tornasse, utilizando a linguagem própria, como também o modelo do filme, dividido em níveis, sem os ecrãs de loading, claro.

Apesar de não termos um vilão propriamente ameaçador, na forma de John Van Pelt (Bobby Cannavale), um explorador que tem a pedra preciosa que os nossos heróis procuram restaurar, este ainda faz uma presença com um impacto mínimo, preferindo o filme apostar mais a sua narrativa na viagem em vez do destino.


Mesmo quando o filme decide meter o pé no desnecessário e ridículo, rapidamente o podemos perdoar pelas suas pérolas cómicas e sentido de aventura, que dá a oportunidade ao espectador de sentir tudo na sua pele.

No fim, Jumanji: Bem-Vindos À Selva não apresenta nada que não se tenha visto antes, mas fá-lo duma forma tão leve. que não se torna sério em qualquer momento, deixando assim a nós apreciar aquilo que tem para oferecer.

Nota Final: 3.5/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 24 de Dezembro de 2017.

13 de dezembro de 2017

Star Wars: Episode VIII - The Last Jedi | Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi (2017)


Depois do grande regresso da Guerra das Estrelas em 2015 com o Despertar da Força, foi dada uma nova vida à saga cinematográfica que continua a história e foi deixada num cliffhanger, demorando dois anos até vermos como acabou uma cena que de tão curta passou a icónica.

Em Star Wars: Os Último Jedi, o segundo filme desta nova trilogia, Rian Johnson, continua o trabalho iniciado por J.J. Abrams ao escrever e realizar o filme mais longo da saga, com duas horas e meia de película.

A Resistência, liderada pela General Leia Organa (Carrie Fisher), está frágil e com a sua destruição iminente, pela mão da Primeira Ordem, onde Kylo Ren (Adam Driver) ainda se sente abatido pelas suas acções no Despertar da Força.


Entretanto, Rey (Daisy Ridley) encontra Luke Skywalker (Mark Hamill) numa ilha isolada, a modos de o convencer a ensinar-lhe tudo sobre a Força. Pelo meio, o piloto destemido Poe Dameron (Oscar Issac) continua a ser um aventureiro e Finn (John Boyega), o desertor da Primeira Ordem, aqui terá que mostrar realmente qual a sua posição do lado da Resistência.

Nisto, temos um filme com vários momentos, onde a sensação de conflito é de facto uma permanente. Na verdade, Johnson traz um argumento e uma realização, ainda que continue com o registo do filme anterior, leva a história por novos caminhos e duma forma tão visualmente apelativa, à qual se junta mais uma icónica banda sonora, assinada pelo já lendário John Williams.

Por um lado, o regresso de Luke Skywalker não poderia ter vindo em melhor altura, expandindo já a narrativa e a sua relação a Kylo Ren, mais a necessidade de se ter isolado durante tanto tempo. Também os momentos que chamam a trilogia clássica de Star Wars, permitem que haja um grande fio condutor, sobretudo quando se reencontra com Chewbacca.


A introdução das novas personagens e criaturas, estas últimas os Porgs e as raposas árcticas, conhecemos também Rose (Kelly Marie Tran) que se junta ao já extenso grupo da Resistência, numa batalha que só irá concluir em 2019, com o último filme deste arco. Mas como tudo, Star Wars: Os Últimos Jedi não está imune a problemas, que poderão ser muito relativos ao espectador.

A começar pela duração, o filme raramente se torna enfadonho, pois com os diversos subplots, é difícil não sermos entretidos com algo, mas há momentos que são passáveis e que pouco ou nada contribuem para a urgência geral da narrativa.

Da mesma forma que aqui exista também um enredo que foca na política nos bastidores, não é tão maçadora como no Episódio II: O Ataque dos Clones, existindo um balanço entre causa e efeito. Ainda que de alguma forma essencial para o plot principal, este tem a tendência de quase cair na distracção.


Star Wars: Os Últimos Jedi é, sem dúvida, um dos grandes filmes do ano, com muitas cenas memoráveis, e que continuam a assegurar o legado, enquanto nos mostra que realmente, este universo tem tanto de enorme como de complexo, deixando ao espectador desfrutar da aventura e dos vários momentos no grande ecrã.

Nota Final: 2.5/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 13 de Dezembro de 2017.

26 de março de 2014

Captain America: The Winter Soldier | Capitão América: O Soldado do Inverno (2014)


Depois de ter passado mais um capítulo nesta longa aventura do universo cinemático da Marvel, é com um novo filme de Capitão América que as coisas voltam a ganhar a espectacularidade que nunca deveriam ter deixado de ter. E se a sequela de Thor desiludiu mais do que devia, é com este Capitão América: O Soldado do Inverno que a Marvel se redime, oferecendo uma obra de super heróis menos heróica, mas com ação mais sólida, ainda que os ditos super poderes sejam utilizados com bastante frequência.


Nesta sequela, o Capitão América, também conhecido por Steve Rogers (Chris Evans), é um soldado da S.H.I.E.L.D. sob o comando de Nick Fury (Samuel L. Jackson) e que, juntamente com a sua parceira, a Viúva Negra (Scarlett Johansson), descobre que a agência está comprometida e que não pode confiar em ninguém. Entretanto, o secretário Alexander Pierce (Robert Redford), o número 2 no comando da S.H.I.E.L.D., classifica o Capitão América como uma ameaça e tenta caçá-lo com a ajuda do Soldado de Inverno (Sebastian Stan), um velho conhecido de Steve.

A trama de Capitão América: O Soldado do Inverno é sólida e soberba, fazendo inveja a muitos filmes de espionagem e acção. Sem grande falhas a nível de argumento, fora uma pequena confusão a seguir à primeira reviravolta na história, um bom ritmo - variado entre grandes sequências e momentos mais calmos - esta continuação brilha naquilo que mais queríamos: a acção. Para além disso, realce para o bom tratamento dado às novas personagens, sobretudo a Alexander Pierce, que mostra Robert Redford numa das suas facetas mais maléficas, e Sam Wilson aka Falcon (Anthony Mackie), que se revela uma bela adição às possíveis sequelas da franquia. Aproveito ainda para mencionar o pequeno papel de Emily VanCamp, como Sharon Carter, que espero que seja desenvolvido no futuro. O cameo de Danny Pudi consegue estar ao mesmo nível do de Stan Lee, o que certamente representará um pequeno mimo para os fãs de Community, série que os realizadores partilham na sua filmografia.


O humor típico da saga, que tem variado nos últimos filmes, volta a destacar-se, embora por vezes surja de forma anti climática. Ainda assim, este é na maioria das vezes apropriado, até porque faz parte das características intrínsecas das personagens, sabendo o espectador com o que contar.

De resto, há pequenos easter-eggs por todo o lado, tais como menções a personagens novas, locais icónicos, enfim, uma série de detalhes e preciosidades que fazem deste filme o melhor da Marvel, arriscando-me eu a dizer que supera Os Vingadores.

Não esquecer que há duas cenas pós-créditos, como tem sido hábito, sendo que a primeira revela um pouco do que podemos contar em Avengers: Age of Ultron e a segunda o que podemos começar já a especular sobre a já confirmada terceira sequela de Capitão América, que para já – e até ver – irá lutar nos cinemas com o esperado Batman Vs Superman da DC Comics/Warner Bros.

Nota Final: 4.5/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 26 de Março de 2014

8 de fevereiro de 2014

That Awkward Moment | Aquele Momento Estranho


À primeira vista, Aquele Momento Estranho parece ser um filme que se vá ver com os amigos masculinos, os chamados "bros". Não poderia estar mais longe da verdade. O filme conta a história de um grupo de amigos, Jason (Zac Efron), Daniel (Miles Teller) e Mikey (Michael B. Jordan), que após o fim da relação deste último juram manterem-se solteiros com ele. Só que nem tudo corre conforme o plano e eventualmente eles acabam por apaixonar-se, sendo posta em causa a sua relação de amizade.

Quem estiver à espera de um filme na linha de Virgem aos 40 Anos pode desde já ficar esclarecido que este não chega sequer perto dele, não fossem as próprias personagens fúteis e sem quaisquer grandes objectivos de vida.


Jason é o alegado líder deste grupo, que consegue dormir com todas, adicionando novos nomes à sua colecção, até que conhece Ellie (Imogen Poots). Daniel, com a ajuda da sua wing-woman, Chelsea (Mackenzie Davis), também vai conhecendo raparigas para convívios íntimos e agora Mikey, que esteve comprometido com Vera (Jessica Lucas) durante tanto tempo, já nem sabe como regressar à estratégia do "engate".

Durante todo o filme não sabemos muito mais sobre estas personagens, nem o que querem da vida, apenas que querem estar com companhia feminina. A exibição do amor cliché e que o mundo, apesar das suas falhas, é tão bonito e amoroso e que a amizade tem um alto valor, torna toda a experiência ainda mais banal, transformando este suposto filme de amigos e diversão em algo mais próximo da comédia romântica insonsa.

Para o primeiro filme de Tom Gormican (co-produtor do infame Movie 43), não há muito de inovador, à parte de meia dúzia de risos discretos. O resto serve só de cenário enquanto prestam atenção à companhia que levaram ao cinema...

Nota Final: 3/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 7 de Fevereiro de 2014