19 de março de 2018

Tomb Raider (2018)


As adaptações de videojogos para cinema têm uma má reputação. Por alguma razão, ainda no início dos anos ’90, os estúdios norte-americanos viram o quão apelativo seria tornar em filme algo que os jovens jogavam nas arcadas ou em casa, trazendo a experiência do mundo virtual interactivo para um mundo cinematográfico.

Nem sempre funcionou como devido, como Super Mario Bros. mostrou que adaptar o mundo da Nintendo acabou num filme piroso e sem grande sentido. Ainda que pirosos, os clássicos de beat ‘em up Street Fighter e Mortal Kombat, sempre deixaram ser guilty pleasures valiosos.

Com o passar dos anos, os Resident Evil não contribuíram para nada e Uwe “O Pior Realizador de Sempre” Boll, bem tentou adaptar o máximo número de videojogos, nunca sendo capaz de fazer um que fosse decente. Nem esta é a primeira encarnação de Tomb Raider no grande ecrã, tendo Angelina Jolie feito esse papel no início do milénio, com dois filmes que não passavam de entretenimento para um Domingo à tarde.


Entretanto, no mundo dos videojogos, em 2013, a Lara Croft voltou a aparecer numa nova aventura, num reboot muito bem recebido, que volta às origens dum ícone. Uma Lara jovem, novata e com muito por aprender, é posta no meio do perigo presente e imediato. É com base nesse reboot que este filme se baseia. Mas longe de ser uma cópia por inteiro, ele cria as suas próprias consequências perante as acções levadas pelas actriz sueca Alicia Vikander.

Tentando ser uma jovem normal, Lara é enfrentada com o falecimento do pai há 7 anos, sem sucesso em encontrar as provas que ela precisa. Mas ao seguir um trilho de migalhas, Lara assume o papel de ir atrás daquilo que ele fazia, e tentar descobrir o que realmente aconteceu. Isto leva-a à ilha de Yamatai, onde está escondido o túmulo da Rainha da Morte, Himiko. Claro que quando chega à ilha, a entidade maléfica Trinity ainda não desistiu de chegar ao túmulo que, alegadamente, garante um enorme poder que irá arruinar o mundo.

Existem algumas cenas interessantes ao longo do filme, desde da Lara Croft do dia-a-dia, longe da sua herança e sempre a tentar provar algo, às recriações emocionantes das cenas dos videojogos, que no grande ecrã proporcionam toda uma experiência nova. Infelizmente, o filme fica-se apenas por breves momentos de interesse, que tornam o resto da aventura em algo insípido e, por vezes, aborrecido.


O dito vilão desta história, Mathias Vogel (Walton Goggins) é apenas um homem a seguir cegamente as ordens da Trinity, como o novo parceiro de Lara, Lu Ren (Daniel Wu) não tem grande utilidade nesta película, sendo apenas uma peça crucial durante as cenas do barco a caminho da ilha.

É de momentos que Tomb Raider vive. Momentos de emoção caótica, seguidos por momentos menos interessantes, na tentativa de haver algum tipo de explicação para os acontecimentos e desenvolvimento das personagens.

De longe existe uma comparação com o videojogo, sendo que ele, apesar das poucas semelhanças, segue o seu próprio caminho. Com tantas opções possíveis, não seria de esperar que se fiasse muito no material base, e dou-lhe um ponto por isso. Mas retiro-o logo, porque a opção escolhida parece ter sido executada sem grande fé nos seus objectivos.


Após o final, põe-se em questão das intenções deste primeiro filme, que parece ter na manga algo maior (e melhor, esperemos), deixando aqui um enorme sentimento de que estas duas horas de Tomb Raider não seja um filme, mas sim o primeiro episódio duma série que não existe.

E se há uma coisa que eu não posso admitir dos meus filmes, é que me traiam desta forma…

Nota Final: 2/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 19 de Março de 2018.

22 de janeiro de 2018

Den of Thieves | Covil de Ladrões (2018)


Gerard Butler é agora, mais que nunca, uma das grandes estrelas de cinema de acção, com um lugar garantido em filmes que vão directos para DVD quando estiver à beira da reforma, tal como Chuck Norris, Steven Segal e Wesley Snipes.

Até lá, protagoniza Covil de Ladrões, escrito e realizado por Christian Gudegast, uma estreia nessa cadeira, depois de ter escrever Um Homem à Parte (de 2003, com Vin Diesel) e a terrível sequela Assalto a Londres, também com Butler no elenco principal. Com um reportório pequeno e com diversas críticas mistas, à distância é difícil perceber como este Covil de Ladrões vai correr, mas ao fim de 140 minutos de película, percebemos que existe aqui um esforço em criar algo que vale a pena viver.


Butler é Big Nick, líder duma equipa do departamento de Xerife de Los Angeles, determinado a perseguir um grupo de ladrões, que têm sido difíceis de apanhar. Ele também é o tipo de polícia que diz o género de coisas como “vocês não são os maus da fita, nós é que somos”.

Do outro lado, o grupo ladroeiro, liderado por Ray Merrimen (Pablo Schreiber), está prestes a assaltar o que se chama “o banco dos bancos”, ou como quem diz, a Reserva Federal de Los Angeles, que das múltiplas tentativas que houve na história do mundo , nunca teve sucesso. Com ele está Donnie (O’Shea Jackson Jr.) e Levi (50 Cent), que servem como uma família, onde a confiança tem que estar ao mais alto nível para tudo correr conforme planeado.


Desde já, admite-se que para uma primeira vez a realizar, Gudegast faz um excelente trabalho, ao nível dos grandes blockbusters dos anos ’90, sem que de forma nenhuma se pareça piroso.

Estamos perante um filme sério, onde os tiros são altos, tal como a quantidade de testosterona, num filme onde muitos têm apontado como altamente inspirado no clássico de Michael Mann, Heat – Cidade Sob Pressão (também conhecido como aquele filme dos anos ’90 em que Robert De Niro e Al Pacino enfrentam um ao outro).

Ainda assim, e apesar da longa duração que podia ter sido facilmente encurtada, temos aqui um filme que não pretende ser algo inovador, preferindo jogar pelo seguro com toda a sua narrativa e cenas de acção admiráveis. De facto, as melhores coisas de Covil de Ladrões é quando estamos a ouvir tiros, que são momentos que tendem ser relativamente emocionantes.


Fora isto, não posso culpá-lo por não ser mais. Ás vezes não é preciso apontar para ser o melhor filme de acção de sempre, sendo antes puro e simples, um bom filme de acção que oferece exactamente aquilo que quer, merecendo algum tipo de oportunidade.

Nota Final: 4/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 22 de Janeiro de 2018.

9 de janeiro de 2018

Darkest Hour | A Hora Mais Negra (2017)


A Maio de 1940, Inglaterra e França eram aliadas na Segunda Guerra Mundial contra o regime Nazi, que aterrorizava Europa com as suas invasões e métodos de violência, enquanto invadiam Bélgica e Holanda.

Mas houve um homem que mudou tudo: Winston Churchill, um homem que ninguém tinha qualquer tipo de confiança e a última pessoa a quem pensaria permitir ser Primeiro-Ministro das terras de Sua Majestade numa altura tão crucial.

É num contexto biográfico que A Hora Mais Negra mostra-nos como Churchill prosseguiu em tornar uma situação improvável numa vitória que iria mudar o rumo da humanidade como a conhecemos.


Gary Oldman interpreta um Churchill sarcástico e de temperamentos variados, personificando de forma fiel uma das grandes figuras do século XX, tendo sido o responsável por dar a ordem à grande evacuação dos soldados em Dunkirk (visto em mais detalhe na película de Christopher Nolan), salvado 300.000 homens cercados pelos Alemães.

A história foca bastante na personagem que Churchill foi, em como encara as situações que tem perante si e o peso das suas decisões, com Oldman a mostrar de forma verídica a sua sensibilidade. Da mesma forma que Anthony Hopkins interpretou Alfred Hitchcock em Hitchcock em 2012, existe um paralelismo entre estes dois actores recriarem momentos quase documentais.


Fora isso, a narrativa fia-se nos factos verídicos, mostrando os momentos chave naquilo que foi o início do mandato, com Joe Wright a realizar um filme com algumas cenas de enquadramento interessante, especialmente quando estamos em movimento.

A Hora Mais Negra é um filme que limita aquilo que quer ser, preferindo mostrar como um homem que estava contra todas as probabilidades conseguiu inspirar uma nação e, eventualmente, derrubar a tirania do regime nazi.

Um excelente filme que dramatiza em quantidades razoáveis aquilo que se passara numa altura em que a espírito de luta e sobrevivência era o principal para o povo Inglês.

Nota Final: 3.5/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 9 de Janeiro de 2018.

24 de dezembro de 2017

Jumanji: Welcome To The Jungle | Jumanji: Bem-Vindos à Selva (2017)


Em 1995, o falecido Robin Williams protagonizou, juntamente com uma jovem Kirsten Dunst um dos filmes mais divertidos do ano, quando um jogo de mesa misterioso fez saltar a selva para o mundo real. Jumanji, cujo livro em que foi baseado, escrito por Chris Van Allsburg, trouxe também uma sequela espiritual, na forma do mágico Zathura, um filme tão underrated que acredito que 90% da população nunca o tenha visto.

Passados 22 anos desde do filme original, aparece uma re-imaginação mais actual dos textos de Van Allsburg, em Jumanji: Bem-Vindos À Selva, que junta 4 adolescentes a jogarem um jogo de consola, e que são sugados para o mundo virtual sob os seus avatars, estes muito diferentes das suas personas reais.

São agora forçados a jogar um jogo inesperado, ao terem que retornar o Olho do Jaguar, uma pedra preciosa e que permite o controlo de todos os animais da selva, no seu respectivo lugar.


Enquanto que o elenco do mundo real, composto por Alex Wolff, Madison Iseman, Ser’Darius Blain e Morgan Turner, todos eles relativamente desconhecidos, com pequenos papeis secundários em cinema e televisão, as suas personagens homólogas são protagonizadas pelos já famosos Dwayne "The Rock" Johnson, Jack Black , Kevin Hart e Karen Gillan, respectivamente.

É com este elenco mais conhecido com quem naturalmente passamos mais tempo, no meio de uma floresta repleta de perigos, incluindo um Nick Jonas perdido lá pelo meio.

A modernização da história para um público actual, familiar com termos como selfie e videojogos online, o filme quase que faz uma paródia daquilo que a sociedade se tornou, envolvendo uma mensagem de amizade maior, num ambiente familiarmente acessível que já não se via há muito no grande ecrã.


Ainda assim, o progresso de Jumanji é como se dum verdadeiro videojogo se tornasse, utilizando a linguagem própria, como também o modelo do filme, dividido em níveis, sem os ecrãs de loading, claro.

Apesar de não termos um vilão propriamente ameaçador, na forma de John Van Pelt (Bobby Cannavale), um explorador que tem a pedra preciosa que os nossos heróis procuram restaurar, este ainda faz uma presença com um impacto mínimo, preferindo o filme apostar mais a sua narrativa na viagem em vez do destino.


Mesmo quando o filme decide meter o pé no desnecessário e ridículo, rapidamente o podemos perdoar pelas suas pérolas cómicas e sentido de aventura, que dá a oportunidade ao espectador de sentir tudo na sua pele.

No fim, Jumanji: Bem-Vindos À Selva não apresenta nada que não se tenha visto antes, mas fá-lo duma forma tão leve. que não se torna sério em qualquer momento, deixando assim a nós apreciar aquilo que tem para oferecer.

Nota Final: 3.5/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 24 de Dezembro de 2017.

13 de dezembro de 2017

Star Wars: Episode VIII - The Last Jedi | Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi (2017)


Depois do grande regresso da Guerra das Estrelas em 2015 com o Despertar da Força, foi dada uma nova vida à saga cinematográfica que continua a história e foi deixada num cliffhanger, demorando dois anos até vermos como acabou uma cena que de tão curta passou a icónica.

Em Star Wars: Os Último Jedi, o segundo filme desta nova trilogia, Rian Johnson, continua o trabalho iniciado por J.J. Abrams ao escrever e realizar o filme mais longo da saga, com duas horas e meia de película.

A Resistência, liderada pela General Leia Organa (Carrie Fisher), está frágil e com a sua destruição iminente, pela mão da Primeira Ordem, onde Kylo Ren (Adam Driver) ainda se sente abatido pelas suas acções no Despertar da Força.


Entretanto, Rey (Daisy Ridley) encontra Luke Skywalker (Mark Hamill) numa ilha isolada, a modos de o convencer a ensinar-lhe tudo sobre a Força. Pelo meio, o piloto destemido Poe Dameron (Oscar Issac) continua a ser um aventureiro e Finn (John Boyega), o desertor da Primeira Ordem, aqui terá que mostrar realmente qual a sua posição do lado da Resistência.

Nisto, temos um filme com vários momentos, onde a sensação de conflito é de facto uma permanente. Na verdade, Johnson traz um argumento e uma realização, ainda que continue com o registo do filme anterior, leva a história por novos caminhos e duma forma tão visualmente apelativa, à qual se junta mais uma icónica banda sonora, assinada pelo já lendário John Williams.

Por um lado, o regresso de Luke Skywalker não poderia ter vindo em melhor altura, expandindo já a narrativa e a sua relação a Kylo Ren, mais a necessidade de se ter isolado durante tanto tempo. Também os momentos que chamam a trilogia clássica de Star Wars, permitem que haja um grande fio condutor, sobretudo quando se reencontra com Chewbacca.


A introdução das novas personagens e criaturas, estas últimas os Porgs e as raposas árcticas, conhecemos também Rose (Kelly Marie Tran) que se junta ao já extenso grupo da Resistência, numa batalha que só irá concluir em 2019, com o último filme deste arco. Mas como tudo, Star Wars: Os Últimos Jedi não está imune a problemas, que poderão ser muito relativos ao espectador.

A começar pela duração, o filme raramente se torna enfadonho, pois com os diversos subplots, é difícil não sermos entretidos com algo, mas há momentos que são passáveis e que pouco ou nada contribuem para a urgência geral da narrativa.

Da mesma forma que aqui exista também um enredo que foca na política nos bastidores, não é tão maçadora como no Episódio II: O Ataque dos Clones, existindo um balanço entre causa e efeito. Ainda que de alguma forma essencial para o plot principal, este tem a tendência de quase cair na distracção.


Star Wars: Os Últimos Jedi é, sem dúvida, um dos grandes filmes do ano, com muitas cenas memoráveis, e que continuam a assegurar o legado, enquanto nos mostra que realmente, este universo tem tanto de enorme como de complexo, deixando ao espectador desfrutar da aventura e dos vários momentos no grande ecrã.

Nota Final: 2.5/5


Originalmente publicado em Geek'Alm a 13 de Dezembro de 2017.