26 de julho de 2013

Grown-Ups 2 | Miúdos e Graúdos 2 (2013)


Adam Sandler reúne novamente o seu grupo de amigos comediantes. Seria bom que tivessem mais e melhores oportunidades de mostrar o seu talento, pois aqui desperdiçam tempo e dinheiro que poderiam ter utilizado para algo certamente mais interessante.

Três anos depois do primeiro filme, Lenny Feder (Adam Sandler) regressa à sua cidade natal com a família, incluindo a sua bela mulher, Roxanne (Salma Hayek), aos quais que se juntam o resto dos amigos, Eric (Kevin James), Kurt (Chris Rock) e Higgy (David Spade). No último dia de aulas, os filhos ensinam-lhe que a pequena cidade onde cresceram já não é aquilo que era, onde então os pais decidem dar a festa da primeira noite de verão.

Não são muitas as cenas que sejam minimamente engraçadas, sobretudo quando há um nível de comédia que é baseada no ridículo sem nunca assumir que seja uma paródia de algum tipo.


Entretanto, grande parte das cenas parece que deveriam fazer parte de uma série televisiva ao estilo de Family Guy, mas raramente fazem sucesso. Um exemplo é a sequência inicial, que começa com uma rena a aliviar a bexiga em cima de Sandler e Hayek. Apesar de puxar o riso pela excentricidade da situação, não deixa de ser algo que foi tirado do topo da cabeça e incluída no filme "só porque sim".

O estereótipo dos membros da fraternidade universitária, corajosamente liderados por Taylor Lautner e Milo Ventimiglia, é capaz de insultar a inteligência de muita boa gente.

Já vai um longo tempo que a Happy Madison Productions, a companhia de produção que assina os filmes de Sandler, não lança algo que fosse minimamente aceitável, até mesmo dentro dos standards que antigamente tinham. Felizmente, entre outras produções lançadas recentemente, como Movie 43 e Scary Movie V, Miúdos e Graúdos 2 é o menor dos males.

Acabo o texto com um apelo aos actores comediantes: parem de fazer filmes destes. Fiquem-se pelos palcos, onde sempre têm oportunidade de mostrar o vosso verdadeiro valor.

Nota Final: 1.5/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 26 de Julho de 2013

20 de junho de 2013

World War Z | WWZ: Guerra Mundial


Caótico é provavelmente o adjectivo mais correto para descrever a adaptação do livro de Max Brooks. A palavra zombie é descartada como um termo aceitável.

O filme conta a história de Gerry Lane (Brad Pitt), um ex-funcionário das Nações Unidas, e a sua família, à procura de refúgio depois dum vírus mortal se ter espalhado pelo mundo. Enquanto a mulher (Mireille Enos) e as filhas ficam em segurança num navio militar, Gerry é forçado a regressar ao trabalho e fica responsável por encontrar uma possível cura.

O ritmo da fita é incrível. Em meros minutos vemos a cidade de Filadélfia ser completamente destruída. O tom de matar ou ser morto torna-se dominante. A realização de Marc Foster oculta quem são estes monstros.

Numa altura em que os mortos-vivos são popularizados, especialmente pela série The Walking Dead, é esperado um certo nível vindo das criaturas que outrora teriam sido humanas, algo que é demonstrado de forma diferente em World War Z. As relações familiares são um pouco desajeitadas, com o cliché de uma das filhas ter um grave problema de saúde e que a certo ponto torna-se num problema para os restantes tentarem resolver. A química familiar existente no início do filme desaparece com alguma facilidade.


O 3D, neste contexto, apesar de não contribuir com nada de maior para o filme, ainda permite que o espectador tenha uma experiência um pouco mais pessoal. A câmara, que raramente pára, e os monstros que estão quase sempre a tentar apanhar-nos de surpresa, facilitam o nosso envolvimento com o filme. Impressionante também é a banda sonora, a cargo de Marco Beltrami, que resulta genialmente bem ao transmitir um tom pacífico e sereno.

Mas, honestamente, o filme peca por ceder às pressões da censura dos estúdios, que num filme deste género é, na minha opinião, inaceitável. Não vemos grandes cenas de violência na eliminação dos mortos-vivos, muito menos uma quantidade razoável de sangue (podem esquecer a existência de gore), e não me digam que quem quer que seja que fosse passar por uma situação deste tipo não diria um único palavrão. Não faz sentido e por vezes perturba a forma como apreciamos o filme.

Nota Final: 3/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 20 de Junho de 2013

13 de junho de 2013

The Internship | Os Estagiários (2013)


"O maior anúncio à escala mundial do Google!" Com esta frase posso resumir o filme inteiro, mesmo que a empresa, apesar de ter sido o assunto principal do filme, nada teve a ver com a produção do mesmo.

Os Estagiários conta a história de Billy McMahon (Vince Vaughn) e Nick Campbell (Owen Wilson), dois vendedores cujo oficio de vendas pessoais já não é como era nesta nova era digital. Assim, ambos conseguem uma entrevista para um estágio na Google e acabam por conseguir entrar. Agora, como uma equipa de renegados, têm que mostrar que num mundo dominado pela tecnologia, dois dinossauros conseguem triunfar.

A dupla de Vince Vaughn e Owen Wilson, que vimos pela última vez em Os Fura-Casamentos, volta novamente com a química esperada. São exactamente as personagens que esperamos que eles sejam numa comédia deste tipo.


É interessante ver o que se passa nos bastidores do maior e mais usado motor de busca do mundo, fora das conspirações e coisas negras que normalmente vemos nos documentários sobre a empresa. Aqui, a Google é pintada de cores vivas e representada tal como a imaginamos, cheia de motivação e produtividade, com a vantagem de ter acesso a comida gratuita e oportunidade de ir dormir uma sesta num sleep pod.

Entretanto, Rose Byrne aparece como o interesse amoroso de Wilson, só porque é necessário no fim alguém ficar com a rapariga – algo que a meio acaba por despertar alguns dos diálogos mais engraçados do filme. Finalmente, quero mencionar a cena de Quidditch. Não faço ideia se o desporto de Harry Potter faz realmente parte do estágio do Google, mas é uma ideia interessante de ver num filme que não seja do próprio Harry Potter – considerando que nos EUA é um desporto reconhecido.

Apesar de não mostrar nada de novo no género, é um filme divertido e bastante acolhedor, mostrando que às vezes a experiência de ser mais velho irá sempre servir de algo para os mais jovens.

Nota Final: 3/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 13 de Junho de 2013

31 de maio de 2013

Epic | Epic - O Reino Secreto (2013)


Depois de Rise of The Guardians, aparece novamente no cinema mais uma adaptação de uma obra de William Joyce, desta vez a partir do livro "The Leaf Men" and "The Brave Good Bugs", agora chamado Epic, que conta a história de M.K. (Amanda Seyfried), uma jovem que vai visitar o pai – o Professor Bomba (Jason Sudeikis) - que é obcecado por pequenos homenzinhos na floresta.

Entretanto, estes pequenos homenzinhos existem de verdade, na forma de Leaf Men, com Queen Tara (Beyoncé Knowles) a liderar a floresta e com Ronin (Colin Farrell) e o seu aprendiz Nod (Josh Hutcherson) a protegê-la. Mas o mal vem na forma de criatura maquiavélicas chamadas Boggans, com o seu líder Mandrake a querer dominar a floresta.


Muitas das cenas de acção e magia são bastante positivas, sobretudo com os efeitos em 3D, que neste caso são uma mais-valia. O tom é por vezes duma personificação da moral ambientalista, mas felizmente não passa a linha de propaganda. A isto acresce o facto do filme ser também bastante divertido, sobretudo da dupla do caracol e lesma, que quase roubam as cenas num jeito de comédia simples e funcional. Ao ouvir a voz de Steven Tyler como o grande Nim Galuu, o sábio da floresta, percebe-se que a personagem assenta que nem uma luva ao vocalista dos Aerosmith.

Uma das coisas que o filme peca é a estrutura da narrativa que,apesar de sólida, não apresenta nada de novo e não se aventura em nada que não tenhamos previamente visto nas obras da Dreamworks. A isto acrescentam-se ainda algumas personagens banais, que pouco ou nada contribuem para o enredo, e que nitidamente poderiam ter sido melhor aproveitadas.

Nota Final: 3/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 30 de Maio de 2013

20 de maio de 2013

Admission | Aprovado (2013)


Há 11 anos, Paul Weitz co-realizou com o seu irmão, Chris Weitz, uma das melhores comédias britânicas da década passada, About a Boy. Desta vez sozinho e com alguma experiência na comédia, Paul traz-nos Tina Fey e Paul Rudd juntos num filme que tinha tudo para trazer o melhor de dois mundos: a Tina Fey de 30 Rock e Paul Rudd, actor habitual nos filmes de Judd Apatow. Porém, o realizador não usa isso a seu favor.

O filme conta a história de Portia Nathan (Fey), responsável pelas admissões na famosa universidade norte-americana de Princeton. Durante a nova temporada de candidaturas, ela encontra-se na escola New Quest, da qual John Pressman (Rudd) é director. Aqui ele apresenta-lhe Jeremiah (Nat Wolff), um estudante prodígio que apela para a simplicidade do estudante habitual, deixando Portia a duvidar do julgamento standard de Princeton.


Enquanto que liberta alguns risos simpáticos com a comédia cliché, o que Aprovado tem de melhor é o facto de nos fazer simpatizar com as personagens que se esforçam para entrar na universidade por mérito próprio e não porque os papás têm conexões, sobretudo Jeremiah, que não só é inteligente como divertido.

Infelizmente, a química entre Portia e John é da mais banal e desinteressante que anda por aí, não aproveitando minimamente o que os actores poderiam oferecer.

Nota Final: 1.5/5


Originalmente publicado em C7nema.net a 19 de Maio de 2013