27 de setembro de 2018

Night School | A Turma da Noite (2018)


Nos últimos anos, Kevin Hart tem sido uma referência cómica por Hollywood. Vê-se, por exemplo, o seu protagonismo em grandes blockbusters como o recente Jumanji: Bem-Vindos à Selva, ou o facto de ser o primeiro comediante a esgotar um estádio de futebol americano, com lotação de 102.000 fãs, para um espectáculo de stand-up.

Hart regressa assim ao grande ecrã, ao lado de Tiffany Haddish, em A Turma da Noite, numa comédia realizada por Malcolm D. Lee.


Em A Turma da Noite, Hart é Teddy, um homem vê a sua vida parada porque não concluiu o secundário, tendo que ir agora atender às aulas pós-laborais de Carrie (Haddish), e fazer o derradeiro teste que lhe dará equivalência. Claro que entretanto, Teddy tem tido uma vida extravagante, acumulando dívidas para se mostrar financeiramente capaz à sua namorada, Lisa (Megalyn Echikunwoke).

Enquanto que Hart, pelos vistos, aprendeu a fazer pouco da sua baixa altura (ele mede 1,63m), as piadas fáceis são uma constante e nem sempre funcionam. Mais, todo o caminho em direcção à lição de vida que Teddy tem que passar, é inteiramente desnecessária, insistindo em bater na mesma tecla vezes sem conta para chegar ao mesmo resultado.


A isto se junta uma ensemble repleta de personagens-tipo, como Theresa (Mary Lynn Rajskub), uma mulher que foi mãe em jovem e não terminou o 12º devido à gravidez; ou Mila (Anne Winters), uma rapariga que teve que escolher entre ir para o reformatório ou fazer o teste e ir para a faculdade. Ainda assim, a ideia de Carrie ser a professora durona, sem tretas mas com um coração de ouro, raramente funciona como suposto, enquanto que por outro lado, é sempre bom ver Ben Schwartz, aqui como o melhor amigo de Teddy e Taran Killam, como o director da escola.


Surpreendente é constarem 7 nomes na lista de argumentistas no desenvolvimento deste filme, praticamente todos eles envolvidos em filmes de comédia mais interessantes que este, parecendo que todas as ideias foram fruto dum grande trabalho de grupo de escola. Em 1995, bastou a dupla de Adam Sandler e o seu colaborador frequente, Tim Herlihy, para escreverem um dos filmes mais cómicos dos anos ’90, sobre um adulto que tem de ir às aulas: Um Milionário na Escola. Passados 23 anos, esperava-se muito melhor do talento presente hoje em dia.

Assim, A Turma da Noite é um filme perfeito para aqueles domingos preguiçosos no sofá e não encontramos o comando, onde o pior que pode acontecer é rirem-se um bocadinho. Mas não muito.

Nota Final: 1/5 (originalmente 2/10)

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Originalmente publicado em Central Comics a 27 de Setembro de 2018

Beyond The Black Rainbow (2010)


Não é fácil de falar de Beyond The Black Rainbow. Isto porque a estreia do ítalo-canadense Panos Cosmatos é toda ela uma viagem com várias camadas de interpretação, todas elas ao qual nós espectadores, criamos o nosso próprio puzzle para juntar as peças.

Referir-me à sinopse do filme e dizer que é sobre Elena (Eva Allen), uma rapariga muda, encurralada na Arboria Institue, uma comuna isolada e futurista enquanto que o Dr. Barry Nyle (Michael Rogers), abusa da mente dele como o demente que é, seria apenas tocar a superfície da obra de Cosmatos, que é muito, muito mais sobre ela. O ano é 1983 e tudo o que se sabe sobre este mundo é que nem tudo é o que parece, nem tudo o que se vê é real.


Durante quase duas horas, somos levados numa viagem dum sonho onde todos os planos são importantes, repletos eles de detalhes intricados, seja na sua cor ou na textura, como também uma realização claustrofóbica que nos abre a oportunidade de entrarmos em trance. A isto se adiciona uma banda sonora hipnótica, autoria de Jeremy Schmidt da banda de rock Black Mountain; uma cinematografia gentilmente dedicada e diálogos que revelam algumas das pistas daquilo o que poderá estar a acontecer, cabendo a nós interpretar o que poderá ser verdadeiro ou não.

Abordando temas que vão desde da religião, ao ocultismo, à identidade de si mesmo, estamos perante um ensaio de uma criação influenciada por várias outras obras cinematográficas, desde do óbvio, 2001: Odisseia no Espaço de Kubrick, ao mais obscuro O Guardador do Mal de Michael Mann. Mas essa mesma identidade está aqui a ser criada, sendo a primeira obra que Cosmatos escreve e realiza, certamente que não existe melhor introdução. Existem muitas outras influências, todas elas a contribuírem positivamente para que este imaginário seja o mais memorável possível.


Tudo o que Beyond The Black Rainbow traz, contribui para o sonho imersivo que Cosmatos quer que experienciamos. Enquanto poderão achar pretensioso a direcção nuanceada e, de facto, vaga que este tomou; os restantes terão aqui um filme muito diferente daquilo que alguma vez poderiam imaginar. Não será um visionamento que irá agradar a todos, mas certamente terá um valor para ser visto múltiplas vezes e fazer uma interpretação pessoal. Podemos nunca saber o que este filme é realmente sobre, mas teremos sempre os nossos pensamentos.

No fim, Beyond The Black Rainbow é uma trip que vale bem a pena experienciar vez uma e outra vez. Até lá uma coisa vos garanto: Panos Cosmatos será lembrado pela sua visão extraordinária e, até ver, da sua filmografia se os seus filmes seguirão esta linha de criatividade.

Nota Final: 5/5

19 de setembro de 2018

Final Score | Golpe Final (2018)


Continuam a ser muitos os filmes de acção que exploram continuamente todos os elementos clássicos do género, com tiros, explosões e one-liners, tal como eram os anos ’80 e ’90.

Golpe Final é um desses, mas não é mais um no meio de muitos.

Quando Michael Knox (Dave Bautista), um ex-soldado visita a família do seu falecido amigo militar, este leva a filha dele para o último jogo a decorrer no Boleyn Ground, o famoso estádio britânico do West Ham United. As coisas dão uma reviravolta quando se vê numa missão para proteger os 35,000 fãs a frequentar o evento, pois existem terroristas em busca dum homem que presumiam como morto.


Primeiro, é importante referir que este filme existe porque o estádio estava previsto ser demolido e o realizador, Scott Mann, viu uma oportunidade incrível para aproveitar a deixa e incluir cenas alucinantes.

Dito isto, todas as comparações com com o clássico Assalto ao Aranha-Céus, com Bruce Willis, são completamente válidas, mas não que isso lhe impeça de brilhar com todas as suas cenas de acção irreverente e as suas personagens bi-dimensionais.

Apesar de tudo, o grande destaque vai para Bautista, que entre as suas aparições em filmes de orçamentos em ambos lados do espectro, vai conseguindo deixar para trás a ideia de wrestler-tornado-actor, tal como The Rock tem feito há quase década de meia. Da mesma forma que os veterano Ray Stevenson e Pierce Brosnan já sabem bem aquilo em que estão envolvidos, naturalmente representando com toda a fidelidade as personagens-tipo que vestem a pele.


Atrás estão uns tantos outros ditos capangas estereotipados até mais não, sem esquecer um homem maior que Bautista e tatuado dos pés à cabeça, que claro, envolvem-se numa luta mano-a-mano, desta vez numa cozinha, onde o uso de utensílios é bastante criativo.

São várias as cenas de acção, todas elas bastante entusiasmantes, enquanto vibramos com um jogo de futebol a decorrer como pano de fundo, onde acabamos por poder simplesmente apreciar todos os aspectos deste Golpe Final. Sejam os tiroteios, as teias da conspiração ou os diálogos à macho, há aqui um pouco de tudo para que possa ser apreciado, incluído uma fabulosa cena de mota! E explosões, muitas explosões.


No fim, só há um grande vencedor no meio disto tudo e é o Boleyn Ground, que terminou a sua vida numa nota alta antes de ser demolido e que agora o terreno irá dar lugar a um condomínio fechado…

Nota Final: 3.5/5 (originalmente 7/10)

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Originalmente publicado em Central Comics a 19 de Setembro de 2018

13 de setembro de 2018

Boom for Real: The Late Teenage Years of Jean-Michel Basquiat | Boom for Real: A Adolescência Tardia de Jean-Michel Basquiat (2018)


Jean-Michel Basquiat foi um dos grandes artistas numa fase em que Nova Iorque estava à beira do colapso. Visto como um poeta e um artista de graffiti por alguns, por outros ele era algo completamente diferente.

É assim que Sara Driver aborda o legado do artista antes da sua fama, em Boom For Real: A Adolescência Tardia de Jean-Michel Basquiat.



Há um certo mistério, não apenas sobre Basquiat, mas como também a cena artística de Nova Iorque nos anos ’70 e ’80, onde a ressurgência do punk rock, do hip hop e new wave marcaram a música e todo o movimento que com ele levou.

Sem-abrigo, a tela de Basquiat eram as ruas da cidade, onde criou inicialmente a marca SAMO (de Same Old Shit), que rapidamente deixou uma impressão em todos que reparavam nas suas obras. Mas este não era só um génio com as palavras.


Ao longo da sua carreira inicial, dito carreira que passou como desconhecido, Basquiat aventurou-se através doutros meios e outras técnicas, agarrando sempre a inspiração quando lhe surgia.

É através das vozes de amigos e conhecidos do artista que o conhecemos duma forma bastante íntima, desde histórias que revelam a sua personalidade peculiar, a como este interagia com a cena artística criada nos bairros pobres e abandonados duma das maiores cidades do Mundo.


Toda esta história é contada duma forma crua e bastante honesta, que juntamente com várias fotografias e vídeos nunca antes vistas, pintam uma imagem do homem e da sua mente criativa.

Infelzmente, Basquiat faleceu com 27 anos, devido a uma overdose de heroína, porém o filme afasta-se por completo desse aspecto, deixando assim uma oportunidade de ficarmos com a impressão correcta do legado de Basquiat, como um artista verdadeiramente talentoso e único.

Nota Final: 4/5 (originalmente 8/10)

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Originalmente publicado em Central Comics a 13 de Setembro de 2018

4 de setembro de 2018

Mile 22 (2018)


Um dia, vocês irão ler neste blog uma crítica minha de uma comédia romântica ou qualquer outra coisa lamechas. Mas hoje não é esse dia. Hoje é um dia em que vos irei falar de um filme feito com milhares de balas: Mile 22.

Com a silly season do Verão a terminar, eis que Peter Berg, mais conhecido como o realizador que mais trabalho dá a Mark Wahlberg, aparece em cena com um filme que desta vez não é baseado em factos verídicos.

Quando Li Noor (Iko Uwais), um polícia indonésio aparece à porta da Embaixada dos Estados Unidos, munido de um disco rígido que contém a localização de material nuclear roubado, pede, em troca da palavra-passe que o desbloqueia, asilo. Para isso, uma equipa especial secreta, constituída por James Silva (Mark Wahlberg), Alice Kerr (Lauren Cohen), Douglas (Carlo Alban) e Sam Snow (Ronda Rousey), tem como missão levar Li até ao aeroporto onde estará o avião que o irá extrair do país,  a 22 milhas da embaixada.

Claro que num filme de escolta, as coisas nunca correm conforme o plano e existem diversos obstáculos que irão fazer tudo para que as personagens não cheguem ao seu destino.


O que vem a partir daqui são muitas balas e cenas de acção umas atrás das outras, com quase hora e meia de cenas em que há cortes demasiado rápidos, ao ponto de se perder quem é quem e o que realmente estão a fazer. Mesmo durante os momentos mais dramáticos, há uma vontade descabida de andar aos tiros ou à porrada, como se isso resolvesse tudo. Neste filme, às vezes resulta...

O grande ponto alto é mesmo Iko Uwais, mais conhecido pelo seu talento nas artes marciais, tanto como actor em filmes como The Raid, onde também é coreógrafo de muitas das cenas de luta. O parecer natural desviar-se de armas brancas e retaliar meramente com as suas mãos e pés é incrível de se ver no grande ecrã e certamente demonstra o quão bom ele é.

Do outro lado temos... Bem, o resto do elenco, que não são mais que cópias de personagens-tipo que já foram mais que vistas pelos mesmos, com excepção de Mark Wahlberg, que desta vez tem um tique de puxar um elástico no pulso porque é sobredotado. Foi algo falado durante a montagem nos créditos iniciais, mas de relevância para o desfecho do filme, zero. Deixem lá o homem fazer o que faz melhor que é acertar cada tiro cada melro como o bom soldado que é.

No fim, temos um filme de acção que tinha tudo para que fosse decente acima da média, apesar da ideia não ser nova, teve uma abordagem diferente daquilo que já se fez antes, como 16 Blocks (2006) com Bruce Willis.

Nota Final: 2/5
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Originalmente publicado em Cinema à Rolha a 3 de Setembro de 2018.