28 de fevereiro de 2021
The Kid Detective | O Miúdo Detective (2020)
6 de fevereiro de 2021
Malcolm & Marie (2021)
31 de janeiro de 2021
The Little Things | As Pequenas Coisas (2021)
Synchronic | Sincrónico (2019)
28 de janeiro de 2021
Promising Young Woman | Uma Miúda com Potencial (2020)
13 de janeiro de 2021
Run | Corre! (2020)
Quando Aneesh Chaganty, em conjunto com o argumentista Sev Ohanian, ofereceram-nos em 2018 um dos thrillers mais interessantes do ano, com Pesquisa Obsessiva, era claro como o dia que a dupla tinha muitas mais cartas debaixo da manga. Dois anos mais tarde, eis que estreia Corre!, continuando o seu legado no cinema de terror.
Diane (Sarah Paulson) é a mãe protectora de Chloe (Kiera Allen, na sua estreia no cinema), uma jovem com diversos problemas médicos e que requer uma monitorização constante, inclusive sendo uma estudante em casa. Um dia, Chloe suspeita que a sua mãe lhe está a esconder algo sobre a sua medicação, que causa um grande problema familiar.
É com uma incrível construção de tensão que Chaganty articula com Paulson e Allen cenas genuinamente assustadoras, enquanto torcemos por Chloe na sua busca da verdade, enquanto Diane é a personificação máxima de o que é uma mãe galinha, onde nada lhe irá impedir de proteger a sua filha do mal.
Estamos perante uma obra que desde cedo nos intriga, ao lançar algumas pistas a demonstrar alguma da estranheza da vida de Chloe, desde da sua condição física, estando ela dependente de uma cadeira de rodas; à quantidade abismal de medicamentos que a mesma tem que tomar para as suas várias doenças, passando pelo facto de ela não ter um smartphone ou acesso permanente a um computador. Todos estes elementos são mostrados de forma casual, mas são capazes de incomodar o suficiente para que as suspeitas se levantam logo de inicio.
Considerando que passamos a maioria do tempo com Diane e Chloe, é de louvar a actuação de Sarah Paulson, que tem uma espécie de magnetismo para papéis como estes, onde recentemente vimos algo semelhante em Ratchet, uma das mais recentes séries da Netflix, e que aqui continua a sua loucura inerente. Do outro lado, está Kiera Allen, que está à frente da representação de actores com deficiências físicas, ao qual ela e Chaganty foram capazes de utilizar as circunstâncias para benefício da narrativa, e pelo meio, tornar Allen numa das grandes jovens promissoras do cinema independente.
Com isto, Corre! pode agarrar numa fórmula clássica, com uma margem de manobra muito reduzida e em troca, é capaz de combinar umas das melhores actrizes com facilidade de personificar a loucura e uma jovem promessa, num filme onde escapar, seja de que forma for, é a ordem do dia. Se Aneesh Chaganty e Sev Ohanian manterem esta parceria no futuro, é certo que terão muito para contribuir ao género
Nota Final: 3.5/5 (originalmente 7/10)
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Originalmente publicado em Central Comics a 13 de Janeiro de 2021.
3 de janeiro de 2021
Archenemy (2020)
2 de janeiro de 2021
Fatman | Missão Vingança (2020)
O Natal sempre foi uma época estranha para o cinema de acção. Afinal, as eternas discussões sobre se Assalto ao Arranha-Céus é, ou não, um filme festivo; ou se Shane Black tem uma panca por esta altura do ano, tendem dominar as festas com aqueles amigos mais cinéfilos. Acontece que a dulpa de realizadores e argumentistas Eshom e Ian Nelms têm outros planos para celebrar o Natal, com Missão Vingança, uma tradução bizarra do título original, Fatman.
Chris (Mel Gibson) é, sem sombra de dúvida, o Pai Natal, cujo trabalho anual envolve gerir toda uma operação logística com a sua mulher, Ruth (Marianne Jean-Baptiste) e entregar prendas no sapatinho às crianças boas e pedras de carvão às crianças menos boas. Infelizmente, o pequeno gangster Billy Wenan (Chance Hurstfield), não achou muita piada à prenda que tinha tanto de original como de utilidade para uma criança e decide recorrer aos serviços de Skinny Man (Walton Goggins), um assasino contratado, para matar Chris.
Se em papel isto tudo soa a uma ideia relativamente interessante, é porque de facto o contexto do qual motiva toda esta narrativa quase roça o génio, sobretudo num mundo repleto de crianças mimadas, produtos de hereditária e meio ambiente, naquilo que chamamos vida real. Seja como for, a experiência proporcionada tinha tudo para dar certo, até poder surpreender na sua abordagem. No entanto, o que fica, é apenas um filme de série-B algo sólido na execução.
A ideia de manter a piada dentro de um universo realista é talvez um dos pontos mais imperativos que Missão Vingança tem, jamais caindo inteiramente na paródia de si mesmo, algo que seria muito fácil de fazer. Invés disso, existe um verdadeiro filme de acção onde as circunstâncias atenuantes das suas personagens principais, quase só servem de pano de fundo, mas que são aproveitadas para oferecer um factor diferenciador dentro do género; tudo sem ser estúpido ou levar-se demasiado a sério.
Enquanto que o seu pouco charme pode pôr o filme de lado como O filme de Natal para se ver todos os anos, a verdade é que pais por todo o mundo estarão certamente contentes por finalmente terem um herói da qual podem admirar. Mesmo que esse herói em tempos possa ter dito e feito algumas coisas condenáveis em Hollywood e que está desde então em busca de redenção. Mas essa conversa, creio eu mencionada anteriormente em Na Sombra da Lei, terá que fica novamente para outra altura.
Assim, Missão Vingança não ficará marcado como um clássico, mas ganha por ser um filme minimamente divertido, nas partes que realmente contam.
Nota Final: 3/5 (originalmente 6/10)
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Originalmente publicado em Central Comics a 2 de Janeiro de 2021.
30 de dezembro de 2020
Love and Monsters (2020)
28 de dezembro de 2020
Shithouse (2020)
The Cleansing Hour (2020)
Spontaneous (2020)
23 de dezembro de 2020
No Escape (Follow Me) | #SemSaída (2020)
Vindo da eterna saga do cinema de terror pós-moderno, onde a Internet e as redes sociais têm que, de alguma forma, ser o centro da tecnologia utilizada para causar medo, vem #SemSaída (com hashtag incluído e tudo), escrito e realizado por Will Wernick.
O filme conta a história de Cole (Keegan Allen), um pseudo-YouTuber que irá celebrar o seu 10º aniversário de carreira com uma surpresa numa viagem que o leva até à Rússia. Com ele está os seus amigos Erin (Holland Roden), Dash (George Janko), Thomas (Denzel Whitaker) e Sam (Siya), que o levam até um escape room, o que esperam ser uma das experiências mais únicas de sempre, uma promessa que Cole nunca irá esquecer.
Ignorando o facto que Wernick realizou um filme sobre um escape room em 2017 - titulado Escape Room e não confundir com o Escape Room de 2019, este realizado por Adam Robitel - é de estranhar que volte a bater na mesma tecla, num ambiente demasiado semelhante para ser coincidência. Ou afinal, Wernick está numa missão de adaptar para cinema as inúmeras experiências proporcionadas pelos escape rooms do mundo. Mas muito disto não bate certo.
A dada altura, um dos grunhos russos diz aos nossos amigos "por mais verdadeiro que possa parecer, vocês estão em segurança", como se uma frase tão dramática não fizesse soar alarmes na cabeça de qualquer um. Levando isto e junta-se uma ingenuidade estúpida, quase estereotipada, de um certo tipo de YouTuber que tanto amamos odiar; e, na verdade, Cole é mesmo muito estúpido. Ou pelo menos assim o aparenta, pela forma que navega pelos puzzles mortais.
Mesmo quando o filme tenta impressionar com as suas reviravoltas óbvias, o facto de nem sequer se esforçar a fazer algo minimamente original é desapontante, ao ponto de quase gritar "plágio" a cada 5 minutos.
SAW e Hostel ficariam muito tristes ao verem o que as suas obras acabaram por inspirar, com #SemSaída a roubar descaradamente do mesmo género de filmes que deseja homenagear ou sequer mostrar influência. Até SAW, que acabou por criar todo um universo de sequelas, descaindo para um contexto nonsense do cinema comercial, mantém a sua integridade com a sua coerência e capacidade de reconhecer que não basta só fazer número. De alguma forma, nem a Blumhouse tocaria neste filme, nem com um pau de 5 metros.
E nós já vimos a Blumhouse a fazer coisas muito más. Minimamente toleráveis. Mas más...
Nota Final: 0.5/5 (originalmente 1/10)
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Originalmente publicado em Central Comics a 23 de Dezembro de 2020.
9 de dezembro de 2020
Jiu Jitsu (2020)
8 de novembro de 2020
Possessor (2020)
Quando Brandon Cronenberg lançou em 2012 a sua primeira longa-metragem, Antiviral, as comparações como as expectativas que o seu filme estivesse ao nível daqueles feitos pelo seu pai, David, foram muitas. Afinal, ser o filho de um dos realizadores mais reconhecidos pela proliferação de um dos mais grotescos sub-géneros do terror, o chamado body horror, não seria fácil. Foi com o sucesso de Antiviral que o mundo se apercebeu que a maçã não cai muito longe da árvore, mas Brandon foi mais longe do que apenas seguir as pisadas do seu parente; iniciou um caminho todo seu. Foram precisos oito anos até que este fizesse o seu regresso, desta vez com Possessor.
Tasya Vos (Andrea Riseborough) é uma agente de uma organização secreta, que utiliza a tecnologia de microchips cerebrais para inabitar o corpo de outros, tornando-os em assassinos natos para uma clientela disposta a pagar o preço. O seu mais recente trabalho, esta irá habitar a mente de Colin Tate (Christopher Abbott), para assassinar a sua namorada, Ava (Tuppence Middleton) e o pai dela, John (Sean Bean), abrindo caminho para um novo CEO de uma empresa de tecnologia.
Cronenberg apresenta assim uma das obras mais horríficas do inicio da década, subtilmente levada pela narrativa obscura, repleta de sangue e momentos mais fora-da-caixa; demonstrando a sua capacidade inata de contar uma história que causa calafrios e demonstrar perfeitamente o seu sentimento. Talvez uma das suas maiores provas é ser um alto-conceito sangrento, algo que muitos provavelmente não achariam que seria uma boa combinação, mas que o realizador faz na perfeição, sem qualquer esforço. Desde uma palette de cores que podem ir do desinteressante para o alarmante em tempo recorde, às decisões chave das personagens e à forma de como a tecnologia funciona, tudo em Possessor claramente tem um propósito muito real.
Num momento em que o cinema de terror está surgir com um interesse mais nuance, Possessor poderia, com muita facilidade, ser um episódio de Black Mirror; com algo altamente intrigante à medida que vamos percebendo como a tecnologia poderá ser explorada para benefício dos mais ricos e que o futuro próximo será, de facto, o nosso fim.
Deste modo, Possessor é um dos filmes mais incríveis do ano, causando todo o tipo de sentimentos mais no cérebro, com sequências de deixar qualquer um boquiaberto, existindo espaço para toda a experimentação que o sub-género está associado. Este não é um filme qualquer, com uma intenção clara que causar a maior impressão possível, seja que, em alguma altura, pareça um truque dissimulado. Apenas desejamos que não demore mais oito anos a regressar ao grande ecrã.
Nota Final: 5/5


















































